Abertura do ISI celebra os 50 anos de Bio-Manguinhos e destaca inovação, cooperação e fortalecimento do SUS
A cerimônia de abertura do 10º International Symposium on Immunobiologicals (ISI), realizada nesta terça-feira (6/5), em Bio-Manguinhos, marcou o início de um dos principais encontros internacionais da área de imunobiológicos e foi também um momento simbólico de celebração dos 50 anos de Bio-Manguinhos/Fiocruz. O evento reuniu pesquisadores, gestores, representantes de organismos internacionais, autoridades públicas e parceiros institucionais em um auditório lotado, com ampla participação presencial e transmissão online.
A mesa de abertura contou com a presença do presidente da Fiocruz, Mário Moreira, da diretora de Bio-Manguinhos, Rosane Cuber, vice-diretores da unidade, representantes da Presidência da Fiocruz, autoridades regulatórias como a Anvisa, além de representantes de órgãos governamentais e instituições parceiras. Também participaram ex-diretores de Bio-Manguinhos e ex-presidentes da Fiocruz, em uma cerimônia marcada pela valorização da memória institucional e pela projeção dos desafios futuros da saúde pública.

Cinco décadas de atuação estratégica em saúde pública
Em sua fala de abertura, Rosane Cuber destacou a trajetória de Bio-Manguinhos ao longo de cinco décadas de atuação voltadas à ciência, à inovação e ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a diretora, a instituição atravessou diferentes contextos de crise sanitárias, econômicas e políticas mantendo seu compromisso com a saúde pública e com a produção nacional de imunobiológicos estratégicos para o país.
Rosane ressaltou que os 50 anos da unidade representam não apenas uma celebração histórica, mas também um momento de olhar para o futuro. Entre os desafios apontados, destacou a necessidade de ampliar investimentos em inovação, novas plataformas tecnológicas, terapias gênicas e o fortalecimento da soberania nacional em saúde.
A cerimônia contou ainda com a exibição de um vídeo institucional comemorativo, resgatando marcos históricos da unidade, desde sua criação até sua consolidação como referência nacional e internacional na produção de vacinas, biofármacos e kits de diagnósticos.

Homenagens marcam celebração histórica
A programação foi marcada por diferentes momentos de homenagem e reconhecimento institucional. Um dos destaques foi a lembrança da trajetória do pesquisador Marco Krieger, ex vice-presidente da Fiocruz, recentemente falecido. Durante a cerimônia, foi mencionada a proposta de nomear um futuro edifício da instituição em sua homenagem, reconhecendo sua contribuição para a ciência e para a saúde pública brasileira.
Outro momento simbólico foi o lançamento do selo comemorativo dos 50 anos de Bio-Manguinhos, desenvolvido em parceria com os Correios. Representando a instituição, Bruno Vinícius de Paiva destacou o papel dos Correios na preservação da memória nacional e afirmou que iniciativas como os selos personalizados valorizam instituições que impactam diretamente a sociedade brasileira.
A cerimônia também homenageou ex-diretores de Bio-Manguinhos, convidados ao palco para receber placas comemorativas em reconhecimento às contribuições para a consolidação e expansão da unidade ao longo das últimas décadas. Em nome dos homenageados, Maurício Zuma fez um discurso destacando a trajetória coletiva da instituição e o papel estratégico desempenhado por Bio-Manguinhos no fortalecimento do SUS e da capacidade produtiva nacional.
Na sequência, ex-presidentes da Fiocruz também foram homenageados, reforçando o caráter histórico e institucional da celebração.

Ciência, acesso e cooperação internacional no centro do debate
A abertura científica do simpósio teve como um de seus principais destaques a participação do pesquisador Akira Homma, reconhecido como uma das figuras centrais da história de Bio-Manguinhos desde sua fundação, em 1976.
Aos 87 anos, Homma foi recebido com aplausos pelo público presente e destacou, em sua fala, a importância da pesquisa, do desenvolvimento tecnológico e da capacidade produtiva nacional para garantir acesso equitativo à saúde. O pesquisador enfatizou que o fortalecimento da ciência e da inovação deve estar associado à ampliação do acesso da população aos imunobiológicos e às tecnologias estratégicas em saúde.
Akira Homma também agradeceu a colaboração de parceiros nacionais e internacionais e ressaltou a importância da cooperação científica para enfrentar os desafios sanitários globais.
A cerimônia contou ainda com mensagens de representantes de organismos internacionais, incluindo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Ileana Fleitas Estevez que esteve presente e Jarbas Barbosa que participou de forma remota, reforçando a relevância da cooperação regional para o fortalecimento dos sistemas de saúde e da capacidade produtiva local.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, participou enviando uma mensagem em vídeo que destacou a recente designação da Fiocruz como Centro Regional de Treinamento em Biofabricação para as Américas. A iniciativa integra a Rede Global de Força de Trabalho em Biofabricação da OMS, criada para fortalecer a qualificação de profissionais e ampliar a capacidade global de produção de insumos estratégicos em saúde. Em sua fala, Tedros afirmou que a escolha da Fiocruz contribuirá para fortalecer competências em produção, qualidade, ciência regulatória, desenvolvimento clínico e escalonamento de biofabricação na região. O diretor-geral da OMS também ressaltou que imunobiológicos vêm transformando a prevenção e o cuidado em saúde, mas alertou que persistem desigualdades no acesso a esses produtos entre países e regiões. Segundo ele, enfrentar essas lacunas exige sistemas integrados, capacidade produtiva fortalecida e equipes qualificadas, resilientes e sustentáveis.

ISI reforça papel de articulação global em saúde
Ao reunir representantes da academia, da indústria, de organismos multilaterais e do setor público, a abertura do ISI reforçou o papel do simpósio como espaço de articulação internacional em torno de temas estratégicos para a saúde pública, como inovação, acesso, produção local e preparação para futuras emergências sanitárias.
Integrada às comemorações dos 50 anos de Bio-Manguinhos, a cerimônia evidenciou a trajetória da instituição como referência nacional na produção de imunobiológicos e destacou a importância da ciência, da cooperação internacional e da soberania tecnológica para enfrentar os desafios contemporâneos e futuros da saúde pública.
Texto: Marcela Dobarro
Imagens: André Rocha
