Especialistas destacam como sistemas adjuvantes avançados podem redefinir a eficácia, o alcance e a resposta imunológica de novos imunobiológicos.
A mesa “Adjuvants as a Game Changer for New Biologicals”, realizada durante o 10º International Symposium on Immunobiologicals (ISI), reuniu especialistas internacionais para discutir o papel estratégico dos adjuvantes no desenvolvimento de vacinas e imunobiológicos de próxima geração.
Coordenada por Hugo Tonioli Defendi (Bio-Manguinhos/Fiocruz), a sessão contou com a participação de Dennis Christensen (Croda), Aneesh Thakur (VIDO/University of Saskatchewan), Pi-Hui Liang (ImmunAdd) e Milena Akamatsu (Instituto Butantan).
Antes das apresentações principais, dois trabalhos científicos foram apresentados em formato de pôster oral. Barbara Araujo Nogueira apresentou um estudo comparativo sobre imunização contra Acinetobacter baumannii, analisando a relação entre resposta humoral e proteção funcional. Em seguida, Francisco Ibanez apresentou resultados sobre uma vacina contra doença de Chagas adjuvada com QS-21 GH, destacando sua eficácia imunológica e potencial terapêutico.
Abrindo a mesa, Dennis Christensen discutiu o desenho racional de sistemas adjuvantes para vacinas de nova geração. O pesquisador destacou como diferentes combinações de adjuvantes podem modular respostas imunológicas específicas, permitindo o desenvolvimento de imunizantes mais eficazes e direcionados.
Na sequência, Aneesh Thakur apresentou o uso de nanoestruturas lipídicas como plataforma para novos adjuvantes vacinais. Segundo ele, essas tecnologias representam um novo paradigma, oferecendo maior estabilidade, capacidade de direcionamento imunológico e potencial de escalonamento produtivo.
Pi-Hui Liang trouxe a perspectiva da glicobiologia aplicada ao desenvolvimento de adjuvantes, destacando como interações envolvendo carboidratos podem influenciar a resposta imune e abrir novas possibilidades para o design de vacinas.
Encerrando as apresentações, Milena Akamatsu apresentou o desenvolvimento do IB160, uma emulsão baseada em esqualeno criada pelo Instituto Butantan para resposta a pandemias de influenza. A pesquisadora destacou o potencial estratégico da plataforma para preparação pandêmica e fortalecimento da capacidade de resposta a emergências sanitárias.
Ao longo da discussão, ficou evidente que os adjuvantes deixaram de ser componentes auxiliares para assumir papel central no desenvolvimento de vacinas mais eficazes, seguras e adaptáveis a diferentes desafios epidemiológicos.
A mesa reforçou que a inovação em imunobiológicos passa, cada vez mais, pela capacidade de desenhar respostas imunológicas de forma precisa, ampliando o impacto das vacinas na saúde global.
Texto: Marcela Dobarro
Imagem: Monara Barreto
