Comunicação, confiança e desinformação: desafios centrais para a ciência na era digital (quinta-feria 4)

Especialistas discutem o papel da comunicação científica, das políticas públicas e das dinâmicas cognitivas no enfrentamento à desinformação em saúde.

A mesa “Research, Scientific Dissemination, and Combating Fake News”, realizada durante o 10º International Symposium on Immunobiologicals (ISI), reuniu especialistas para discutir os desafios da desinformação em saúde pública e o papel estratégico da comunicação científica na construção de confiança e no fortalecimento das políticas de saúde.

Coordenado por Margareth Dalcolmo (Fiocruz), o debate contou com a participação de Carolina Ofranti Sampaio (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), Flavia Ferrari (Instituto Mário Schenberg e Todos pelas Vacinas) e Billy Nascimento (Forebrain).

Antes das apresentações principais, Manoela Ribeiro Bastos apresentou o projeto “MartinLab in Schools”, que utiliza o jogo educativo CARTelas como ferramenta de divulgação científica sobre terapias avançadas para estudantes do ensino médio, destacando o potencial de abordagens lúdicas na aproximação entre ciência e sociedade.

Abrindo a mesa, Margareth Dalcolmo ressaltou que a desinformação não é um fenômeno novo, mas ganhou escala e complexidade com o avanço das plataformas digitais. A pesquisadora compartilhou experiências durante a pandemia de Covid-19, destacando o papel da comunicação na mediação entre ciência e sociedade em momentos de crise.

Na sequência, Carolina Ofranti Sampaio abordou estratégias institucionais para o enfrentamento à desinformação em saúde. Ela destacou que, em um ambiente de comunicação descentralizado, plataformas digitais, algoritmos e filtros passaram a influenciar diretamente a circulação de informações. Entre as iniciativas apresentadas, destacou-se o programa Saúde com Ciência, voltado à promoção de informação confiável e ao fortalecimento da comunicação pública.

Flavia Ferrari trouxe a perspectiva da mobilização social, destacando a importância da construção de confiança e do diálogo com diferentes públicos. Segundo ela, iniciativas como o movimento Todos pelas Vacinas mostram que a comunicação científica precisa considerar contextos, linguagens e realidades diversas para alcançar maior efetividade.

Encerrando as apresentações, Billy Nascimento discutiu como fatores cognitivos e emocionais influenciam a forma como as pessoas processam e assimilam informações. A partir de conceitos de neurociência e neuromarketing, destacou que o enfrentamento à desinformação exige não apenas dados, mas estratégias que considerem empatia, conexão e compreensão das dinâmicas humanas.

Ao longo do debate, ficou evidente que o combate à desinformação em saúde exige uma abordagem integrada, que combine ciência, comunicação, políticas públicas e compreensão do comportamento humano.

A discussão reforça que fortalecer a confiança na ciência passa não apenas pela produção de conhecimento, mas pela forma como ele é comunicado, compartilhado e apropriado pela sociedade.

Texto: Marcela Dobarro
Imagem: Monara Barreto