Debate destaca o papel da colaboração internacional, políticas públicas e financiamento para reduzir desigualdades no acesso a vacinas e outras tecnologias em saúde.
A mesa “Potentialities and Challenges for Stimulating South-South Cooperation in Biotechnological Development, Tech Transfer and Capacity Building”, realizada durante o 10º International Symposium on Immunobiologicals (ISI), reuniu especialistas para discutir estratégias de fortalecimento da cooperação internacional entre países do Sul Global, com foco na ampliação da capacidade produtiva, inovação e acesso equitativo a tecnologias em saúde.
Coordenado por Tiago Rocca, do Instituto Butantan, o debate contou com a participação de Iin Susanti (Biofarma/DCVMN), Priscila Ferraz (Fiocruz), Fernanda De Negri (Ministério da Saúde/SECTICS) e Chris Gill (Gates Foundation).
Antes da mesa principal, duas apresentações em formato de pôster oral trouxeram contribuições relevantes. Rodrigo Soares Caldeira Brant apresentou estudo sobre o perfil bioquímico do antígeno SpiN, destacando estratégias de controle de qualidade para produção em escala GMP. Em seguida, Laura Alves Ribeiro Oliveira apresentou resultados de acompanhamento longitudinal de indivíduos com condições pós-Covid, com foco na caracterização de biomarcadores imunológicos e desfechos terapêuticos.
Abrindo as discussões, Iin Susanti destacou o papel da Developing Countries Vaccine Manufacturers Network (DCVMN) no fortalecimento da produção de vacinas em países em desenvolvimento. A rede atua na promoção de capacitação, transferência de tecnologia, inovação e articulação de parcerias, com o objetivo de ampliar o acesso a imunizantes de qualidade em escala global.
Na sequência, Priscila Ferraz apresentou a Global Coalition for Local and Regional Production, Innovation and Equitable Access, iniciativa que busca fortalecer a produção regional de tecnologias em saúde por meio de uma plataforma de cooperação internacional. A coalizão reúne governos, instituições científicas, setor produtivo e organizações internacionais para enfrentar desigualdades estruturais no acesso a vacinas, diagnósticos e terapias, especialmente em países de média e baixa renda.
Fernanda De Negri, do Ministério da Saúde, destacou a importância de políticas públicas consistentes para viabilizar a cooperação internacional e fortalecer a soberania tecnológica. Segundo ela, o Brasil tem buscado avançar por meio de programas de inovação e parcerias estratégicas, com o objetivo de consolidar sua posição no cenário global da saúde.
Encerrando as apresentações, Chris Gill, da Gates Foundation, abordou os desafios relacionados à cobertura vacinal e ao financiamento de novas tecnologias, destacando o papel das vacinas combinadas como estratégia para ampliar o acesso. O especialista também ressaltou a importância de modelos de cooperação Sul-Sul como caminho para fortalecer a capacidade produtiva e responder a demandas globais de saúde.
Ao longo do debate, ficou evidente que a cooperação Sul-Sul é um elemento central para enfrentar desigualdades históricas no acesso a tecnologias em saúde. A articulação entre produção local, financiamento, inovação e políticas públicas surge como caminho estratégico para fortalecer sistemas de saúde e ampliar a segurança sanitária global.
Texto: Marcela Dobarro
Imagem: Monara Barreto
