Diagnósticos para uma nova era: clima, integração global e regulação no centro do debate (quinta-feira 1)

Especialistas discutem como mudanças climáticas, novas tecnologias e desafios regulatórios estão redefinindo o papel dos diagnósticos em saúde pública.

A mesa “Diagnostics for a New Era”, realizada durante o 10º International Symposium on Immunobiologicals (ISI), reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir os desafios e caminhos para o fortalecimento dos diagnósticos diante de um cenário global marcado por mudanças climáticas, riscos de novas pandemias e avanços tecnológicos.

Coordenado por Antonio Gomes Pinto Ferreira, vice-diretor de Diagnósticos de Bio-Manguinhos/Fiocruz, o debate contou com a participação de Marilda Siqueira (Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz), Albert Ko (Yale School of Public Health) e Marcella Melo Vergne de Abreu (Anvisa).

Antes da mesa principal, duas apresentações em formato de pôster oral trouxeram contribuições relevantes. Marcelle Bral de Mello apresentou estudo sobre a performance clínica do teste rápido DPP HIV 1/2 Immunoblot, destacando seu potencial para ampliar o acesso ao diagnóstico confirmatório em regiões com limitações estruturais. Já Laís Pereira Ferreira Bento abordou a diversidade genômica do rinovírus humano no Brasil, reforçando a importância da vigilância molecular para o monitoramento epidemiológico.

Abrindo as discussões, Marilda Siqueira destacou os impactos das mudanças climáticas na dinâmica das doenças infecciosas, citando a expansão recente da dengue para regiões anteriormente não endêmicas. Segundo a pesquisadora, além do desenvolvimento de novas tecnologias, é fundamental investir na preparação de pessoas e instituições para responder a futuras emergências sanitárias.

Na sequência, Albert Ko chamou atenção para a fragmentação das respostas globais às doenças infecciosas. O pesquisador criticou a atuação em “silos” e defendeu abordagens integradas, com base na perspectiva One Health, como caminho para enfrentar ameaças emergentes que ultrapassam fronteiras geográficas, como mpox e o vírus Oropouche.

Encerrando as apresentações, Marcella Abreu, da Anvisa, abordou os desafios regulatórios diante da incorporação de novas tecnologias, incluindo plataformas digitais e inteligência artificial. Segundo ela, cabe às agências reguladoras equilibrar inovação e segurança, enfrentando questões como proteção de dados, transparência e avaliação de riscos em um cenário de rápida transformação tecnológica.

Ao longo do debate, ficou evidente que o fortalecimento dos diagnósticos passa não apenas por avanços científicos, mas também pela integração entre setores, pela cooperação internacional e pela construção de marcos regulatórios capazes de acompanhar a velocidade da inovação.

Texto: Marcela Dobarro
Imagem: Monara Barreto