Encerramento do ISI 2026 premia pesquisas inovadoras e destaca nova geração científica

 

A cerimônia de encerramento do ISI 2026 foi marcada pela entrega dos prêmios da Exposição Científica de Pôsteres, reconhecendo pesquisas de destaque apresentadas ao longo do simpósio e reforçando o papel do evento como espaço de estímulo à inovação, formação de talentos e fortalecimento da ciência voltada à saúde pública. A premiação contemplou trabalhos nas áreas de vacinas, biofármacos, diagnóstico, terapias avançadas, inteligência artificial e comunicação científica, evidenciando a diversidade temática e o caráter multidisciplinar do encontro.

Os trabalhos foram avaliados por uma Comissão Independente de Avaliação de Prêmios (CIAP), formada por pesquisadores externos à Fiocruz: Daniel Pacheco, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Marco Stephano e Maria Sato, da Universidade de São Paulo (USP); Matias Melendez, do Instituto Nacional de Câncer (INCa); Milena Akamatsu, do Instituto Butantan; e Telma Oshiro, também da USP. A seleção considerou critérios como qualidade científica, metodologia, originalidade, relevância e clareza dos trabalhos apresentados.

A primeira etapa da cerimônia foi dedicada às menções honrosas concedidas a pesquisas consideradas de destaque pela comissão avaliadora. Entre os trabalhos reconhecidos esteve o estudo “Molecular evidence of transfusion risk: first report of Oropouche virus in asymptomatic blood donors in Rio de Janeiro, Brazil”, de Barbara Araujo Nogueira, voltado à detecção do vírus Oropouche em doadores de sangue assintomáticos. Também receberam homenagem o trabalho “Advancing CAR-T Cell Engineering: Hybrid Transposons as Cost-Effective Non-Viral Alternatives”, de Luiza de Macedo Abdo, sobre alternativas não virais para engenharia de células CAR-T; o estudo “Scaling up YFV 17DD virus to a 40-liter pilot-scale stirred-tank bioreactor at Bio-Manguinhos pilot plant”, de Adrian Chaves Beserra Penha, relacionado à ampliação de escala da vacina de febre amarela; e o projeto “MartinLab in Schools: promoting science communication through the educational board game CARTelas”, de Manoela Ribeiro Bastos, voltado à divulgação científica em escolas por meio de jogos educativos.

A cerimônia seguiu com a entrega dos prêmios Jovem Talento Científico, destinados a pesquisadores de até 26 anos. Na categoria Henrique de Azevedo Penna, o prêmio foi concedido a Eliza Lima dos Santos, pelo trabalho “Development of optical and electrochemical biosensors applicable to the diagnosis of infection caused by the Hepatitis Delta virus”, voltado ao desenvolvimento de biossensores para diagnóstico da hepatite Delta. Na categoria Evandro Chagas, a vencedora foi Andressa Borges de Almeida, autora da pesquisa “Scaling up a chromatography-based downstream process for 17DD yellow fever viral vaccine manufacturing: from the bench to the pilot stage in Eukaryotes Pilot Laboratory/Bio-Manguinhos”, relacionada ao escalonamento de processos produtivos da vacina de febre amarela. Já o prêmio Sérgio Arouca foi entregue a Bernardo Monteiro de Vasconcelos, pelo estudo “Functional application of the iCASP9 suicide gene system as a safety mechanism for CAR-T cells”, sobre mecanismos de segurança aplicados a terapias celulares CAR-T.

Entre os principais premiados da edição, o terceiro lugar da categoria Alcides Godoy ficou com Caio Velloso Mergh e o trabalho “Artificial Intelligence and Retrieval-Augmented Generation (RAG) for Regulatory Compliance in the Pharmaceutical Industry: A Tripartite Comparative Study”. A pesquisa avaliou o uso de inteligência artificial e sistemas RAG para apoio em análises regulatórias da indústria farmacêutica, propondo modelos híbridos entre especialistas humanos e IA para ampliar eficiência e confiabilidade dos processos.

O segundo lugar, na categoria Carlos Chagas, foi concedido a Juliana de Sousa dos Santos Pereira pelo estudo “Production of anti-PD-1 monoclonal antibody (Nivolumab) using an mRNA platform”, que explorou o uso de plataformas de RNA mensageiro para produção de anticorpos monoclonais aplicados ao tratamento oncológico.

O principal reconhecimento do simpósio, o prêmio Oswaldo Cruz, foi entregue a Daniele Ramos Rocha, autora do trabalho “Bio-Manguinhos and new generation of vaccines: consolidation of mRNA-LNP production and evaluation of critical quality attributes at pilot scale”. A pesquisa aborda a consolidação da plataforma nacional de produção de vacinas baseadas em RNA mensageiro e nanopartículas lipídicas (mRNA-LNP), considerada uma das principais apostas tecnológicas globais para futuras estratégias de imunização e resposta a emergências sanitárias.

Antes do anúncio do prêmio principal, a diretora de Bio-Manguinhos, Rosane Cuber, e o assessor científico Akira Homma realizaram as falas de encerramento do evento. Rosane destacou a importância da comissão científica independente e agradeceu às equipes envolvidas na organização do simpósio, incluindo comunicação, captação de recursos e patrocinadores. Segundo ela, o ISI se consolidou como um espaço de troca de experiências, construção coletiva e fortalecimento da inovação em saúde.

Akira Homma ressaltou a alta qualidade dos trabalhos apresentados e destacou o protagonismo das novas gerações no futuro da instituição. Em tom descontraído, comentou a diversidade da comissão avaliadora antes de afirmar que os próximos 50 anos de Bio-Manguinhos estarão nas mãos da juventude científica presente no evento.

O encerramento consolidou o ISI 2026 como um espaço estratégico de articulação entre ciência, inovação, indústria e saúde pública, reunindo pesquisadores brasileiros e internacionais em torno dos desafios contemporâneos da produção de imunobiológicos, terapias avançadas, inteligência artificial e acesso equitativo à saúde.

Texto: Marcela Dobarro
Imagem: Monara Barreto